quarta-feira, 24 de junho de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
CORA CORALINA - ESCRITORA
Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende."
Os
versos que você acabou de ler são de autoria de Cora Coralina, pseudônimo de
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a
Aninha, como a poeta se autorreferiu no título do poema. Conhecida como a
autora dos versos que representam um pouco da história da Cidade de Goiás, no
estado de Goiás, Cora Coralina ficou nacionalmente conhecida, ganhando o
respeito de poetas como Carlos Drummond de Andrade, que foi o grande
responsável por despertar o interesse do público nacional para a escritora até
então conhecida apenas regionalmente.
BIOGRAFIA
Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:
"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)." Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás. No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte. "Estórias da Casa Velha da Ponte" é lançado pela Global Editora. Postumamente, foram lançados os livros infantis "Os Meninos Verdes", em 1986, e "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu", em 1997, e "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", em 1989.
Texto extraído do livro "
Vintém de cobre - Meias confissões de
Aninha",
Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 174.
OPINIÃO
O amor na velhice
Por: Olympia Salete
Rodrigues
A Cora Coralina
que todos conhecemos: aquela mulher que se descobriu poeta já bem velhinha,
depois de uma vida de luta, inclusive com um casamento desastroso que ela
carregou corajosamente e, só após a morte do marido, conseguiu se ver em sua
enorme e verdadeira dimensão, como mulher e como poeta.
segunda-feira, 9 de março de 2015
BARUCH SPINOZA - FILÓSOFO
Einstein, quando
perguntado se acreditava em Deus, respondeu: -“Acredito no Deus de Spinoza, que
se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se
interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
“Pára de ficar rezando e
batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de
tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos
lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha
casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí, é onde eu vivo e aí, expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar por tua
vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador,
ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com
o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes
por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo
supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num
amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…,
não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de
me pedir.Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de
mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te
castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se eu te fiz, eu te enchi
de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de
incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que
eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar
um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto
da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de
mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para
te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não
faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes
atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova,
nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o
paraíso. Esta vida é a única coisa que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente
livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um
placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua
vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há
algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o
houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado a oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza
que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se
tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste?… O que aprendeste?…
Pára de crer em mim- crer
é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me
sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando
agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no
mar.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
SIMONE DE BEAUVOIR - ESCRITORA
Em 1943, a escritora Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir estava pronta para o mundo. Publicou então seu primeiro romance, A Convidada. Em 1944, O Sangue dos Outros. Além dos romances, ela se dedicava também aos ensaios filosóficos e, alguns anos mais tarde, às memórias.
Apesar de ser sempre a melhor – ou segunda melhor – aluna da classe, a formação conservadora não conseguiu aplacar os desejos de liberdade da jovem Simone. Aos 13 anos, ela estava decidida a se tornar escritora. Simone, adolescente, começou a escrever diários e tentativas de romances. Aos 14 anos, deixou de acreditar em Deus, embora fizesse dessa descrença um segredo para a família e as colegas do Cours Désir. Aos 15, Simone tem sua primeira paixão: seu primo Jacques. A família desejava o casamento, mas aos poucos ela percebe que a relação – que nunca chegou a se configurar como um namoro – não teria futuro.
"Querer ser livre é também querer livres os outros."
Simone de Beauvoir
Simone de Beauvoir
Seus livros enfocavam os elementos mais importantes da filosofia existencialista, revelando sua crença no comprometimento do intelectual com o tempo no qual ele vive. Na obra A Convidada, de 1943, ela aborda a degeneração das relações entre um homem e uma mulher, motivada pela convivência com outra mulher, hóspede na residência do casal. Uma de suas publicações mais conhecidas é Os Mandarins, de 1954, na qual a escritora flagra os intelectuais no período pós-guerra, seus esforços para deixarem a alta burguesia letrada e finalmente se engajarem na militância política.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
SIMPLESMENTE OSHO - ELE, O SUPRACONSCIENTE
| Foto: Reprodução |
No fim dos
anos 50, um professor de filosofia chamava atenção na Universidade de Jabalpur,
na Índia. As aulas do barbudo de gorro e óculos escuros, sempre lotadas, eram
as únicas em que homens e mulheres podiam sentar-se juntos e debater livremente
– apenas mais uma das controvérsias do homem que se definiu como “um místico
espiritualmente incorreto”.
Chandra
Mohan Jain, ou simplesmente Osho, causava polêmica principalmente com seus
ataques às religiões tradicionais. Pregando a busca da liberdade através da
meditação, ele conquistou uma geração de pessoas que buscava a espiritualidade
sem ter de se comprometer com antigas crenças. Mas o movimento que ele criou
assumiu todos os contornos de uma nova religião, como a busca pelo divino,
seguidores, rituais, doutrinas e até mesmo escrituras – mais de 600 livros que
são best sellers internacionais, traduzidos em 55 idiomas.
“Não
existe homem mais cabeça-dura que o papa, o Polaco”, disse sobre João Paulo 2º
durante uma entrevista de 1985, publicada em 6 volumes no livro O Último
Testamento. O Polaco, como sempre chamava o então chefe da Igreja Católica, era
um dos alvos favoritos de Osho: “O mundo está superpovoado e ele continua
pregando contra o controle de natalidade, a pílula e o aborto”. Seus livros,
editados a partir de palestras e entrevistas, oferecem novas interpretações de
livros sagrados, líderes religiosos e sistemas políticos. O objetivo era
discutir a importância da liberdade, do autoconhecimento e da relação do homem
com ele mesmo e com o planeta – a busca por um novo homem.
“A
abordagem de Osho traz elementos religiosos, especialmente no sentido de que o
ser humano tem a capacidade de se iluminar e pode desenvolver seu potencial
inerente”, explica o professor de teologia da PUC-SP Frank Usarski.
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