quarta-feira, 27 de julho de 2016

VIKTOR FRANKL - O AMOR COMO SIGNIFICADO DA VIDA

A PSICOLOGIA DO SENTIDO

Viktor Emil Frankl nasceu no dia 26 de março de 1905 em Viena, na Áustria. Faleceu em 2 de setembro de 1997, aos 92 anos de idade. Descendente direto de judeus, ele foi médico, psicólogo, psiquiatra e sobrevivente dos campos de concentração da Alemanha na época da Segunda Guerra Mundial.

Por Eduardo Ruano

O austríaco também foi um renomado filósofo e pensador da humanidade contemporânea, tendo feito diversas contribuições à psicologia, psiquiatria e neurologia.

Sabe-se que, no colégio, Frankl era um aluno dedicado e inveterado a seguir na área da saúde. Aos 13 anos, já no segundo grau, ele assistia a uma aula de ciências naturais, durante a qual seu professor explicava que a vida acontece como um “processo de oxidação e combustão”. O jovem Frankl interrompeu a aula, perguntando, em voz alta, o seguinte: “Professor, se é assim, que sentido tem a vida?”

Desde cedo, já era possível perceber a curiosidade e preocupação de Frankl pela filosofia, especialmente por aquilo que tratava sobre os sentidos, propósitos e causas da existência humana.

O jovem Frankl se destacou durante toda sua trajetória escolar. No último ano, para o exame final, ele entregou um trabalho sobre a psicologia do pensamento filosófico, com ênfase na filosofia existencialista de Sartre, da qual discordava em partes.

Diferentemente da maioria dos pensadores do Existencialismo – vertente que lhe serviu de base – Frankl não era pessimista, cético e antirreligioso. Ele assumia uma visão mais otimista e esperançosa sobre a capacidade humana de superar adversidades e imposições da vida moderna.
Frankl se preocupava, acima de tudo, com o conceito de propósito, a partir do qual o ser humano se orienta no sentido de sua existência.

Em 1921, aos 16 anos de idade, Frankl já expunha suas ideias e considerações em palestras e debates por vários cantos da Europa. Nesse mesmo ano, ele participou de uma conferência sobre o tema “O Sentido da Vida” e, após o evento, foi imediatamente contratado para ser funcionário da Juventude Trabalhadora Socialista, uma comunidade com fins acadêmicos educacionais.

O vigor intelectual de Frankl rapidamente impressionou e o colocou em correspondência direta com Sigmund Freud. Por influência deste, Frankl publicou seu primeiro artigo científico em 1924, numa publicação renomada chamada International Journal Of Individual Psychology. Era um grande feito para alguém que estava em vias de iniciar a faculdade.

Frankl encontrava-se regularmente não só com Freud, mas também com Alfred Adler, tendo sido influenciado pelas ideias dos dois. Enquanto Freud trabalhava mais com a psique e o desejo, Adler discutia sobre o poder e a vontade. No fim, ambos determinaram a orientação do pensamento do jovem Frankl.

Mais tarde, seu relacionamento com Adler foi rompido por causa de confrontos de personalidade, fortes divergências de opinião e subsequentes brigas explosivas. Quanto a Freud, Frankl passou a vê-lo com cada vez menos frequência, embora os dois mantivessem a afinidade um pelo outro.

No final de 1926, Frankl passou a ministrar palestras públicas, e apresentava-se em congressos por toda a Europa. Suas habilidades de persuasão e oratória eram claramente notáveis, assim como era adequada a organização de seus discursos.


Em Viena e outros seis estados, Frankl e sua equipe projetaram os chamados Centros de Aconselhamento Juvenil, onde jovens em dificuldade psicológica eram atendidos gratuitamente. Quando ficou sabendo que o índice de suicídio entre os jovens estava altíssimo, na época, Frankl organizou uma ação solidária de prevenção ativa, que se mostrou extremamente eficaz. Durante a ação, não houve registros de suicídio.

Mais ou menos nessa época, o austríaco já havia adquirido uma certa notoriedade popular, considerando que seus feitos como profissional eram ressonantes por onde quer que passasse.

Entre 1931 e 1932, aos 27 anos de idade, ele finalmente concluiu sua formação neurológica. Em seguida, Frankl especializou-se em psiquiatria, para depois trabalhar em um hospital na cidade de Viena. Lá, ele conhece e se apaixona pela enfermeira Tilly Grosser, com quem se casou em 1941, mesmo ano em que ele e a família foram feitos prisioneiros pelos nazistas, na iminência da Segunda Guerra Mundial.


Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração


Por três longos anos, Viktor Frankl foi mantido prisioneiro em quatro campos de concentração espalhados por toda a Alemanha. Sua pele foi tatuada com o número 119.104, para identificação.

Naquela ocasião, sua esposa estava grávida. O pai, a mãe e o irmão foram todos mortos, brutalmente e sem misecórdia, pelo bárbaro regime nazista.

No ínterim desse momento delicado, Frankl ainda foi separado de sua esposa. Em suma, ele perdeu praticamente tudo o que tinha por causa do terrorismo regido por Adolf Hitler. De uma hora para outra, seu mundo colapsou.

Foi a esperança de reencontrar sua esposa e publicar suas ideias sobre a terapia do sentido da vida que manteve Frankl vivo ao longo dos três anos de sofrimento humano indescritível.

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Tamanha era a vontade de passar seus conhecimentos adiante, que Frankl perigosamente escondia rabiscos de sua teoria dentro das cuecas. O austríaco estudava o comportamento humano em um cenário de privação total, e esses estudos, por fim, embasaram o conteúdo de seu livro Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração.

Aprisionado pelos nazistas como um animal em um abatedouro, Frankl pôde aprender o suficiente sobre como alguém é capaz de encontrar significado e luz quando só há morte e escuridão em perspectiva.

Apesar da solidão, da miséria, do desespero e do sofrimento de viver em condições subumanas, Frankl reuniu uma força intrínseca extraordinária para superar todas as dificuldades e poder viver em paz consigo mesmo.

Certa vez, ele disse:
“Mesmo nas situações mais absurdas, dolorosas e desumanas, a vida tem um significado em potencial e, portanto, até o sofrimento tem sentido.”
No livro, Frankl relata não só suas experiências como interno nos campos de concentração, mas também descreve seu método psicoterapêutico para encontrar sentido em todas as formas de existência: a Logoterapia.



LOGOTERAPIA

A Logoterapia é uma abordagem psicoterapêutica que possui um viés existencial. Essa abordagem integra a Terceira Escola Vienense de psicologia e, basicamente, é estruturada por três alicerces ideológicos: a liberdade do desejo, o desejo por sentido e o significado da vida.

Frankl afirmava que o homem não está totalmente sujeito aos seus condicionamentos, mas tem escolha de decidir e agir em face de todas as circunstâncias, independentemente da privação de sua liberdade. Segundo ele, existe no homem um desejo e uma vontade de sentido.

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Como psicólogo, médico e psiquiatra, ele percebeu que as pessoas não sofrem apenas de frustrações sexuais (Freud) ou de complexos de inferioridade (Adler), mas também de um certo vazio existencial. Para ele, a maioria dos problemas psicológicos e psiquiátricos nasce do sofrimento causado pela sensação de falta de sentido.

Viktor Frankl viveu tempo suficiente para acompanhar as transformações sociais da modernidade. De acordo com ele, nós vivemos em uma sociedade que busca virtualmente se satisfazer, ou pelo menos se propõe a gratificar cada uma das necessidades humanas, mas se esquece, essencialmente, de seu significado.

“A atual sociedade de consumo até está criando necessidades, mas a necessidade de sentido – ou, como eu costumo dizer, a vontade de sentido – permanece insatisfeita.”
Não deixa de ser correto considerar que, atualmente, a sociedade passa por uma crise de individualismo e apego ao materialismo. Frankl concordava com isso.

Ele argumentava que o ser humano precisa, de fato, daquilo que ele chamava de “autotranscendência”. Ou seja, a felicidade não pode ser perseguida de qualquer jeito, mas deve acontecer espontaneamente, não por mera vontade, e sim pelo sentido inerente ao sentimento. A autotranscendência pressupõe que esse sentido só pode existir se a pessoa tiver uma causa maior do que ela.

Segundo Frankl, a busca da felicidade é uma contradição. Na sua opinião, estar preocupado com a própria felicidade e o próprio prazer é frustrar-se.
“A felicidade nunca pode ser buscada. Ela é uma consequência, um efeito colateral, um subproduto da realização de um sentido. Isso fica evidente nas neuroses sexuais, em que, precisamente, à medida que alguém está perseguindo a felicidade sexual e o prazer, estará fadado a falhar. Seja um homem que queira demonstrar a sua potência sexual, na mesma medida, provavelmente acabará sofrendo de impotência; ou uma mulher que quer demonstrar a si mesma que é plenamente capaz de chegar ao orgasmo, na mesma medida, provavelmente acabará frígida.”

Em sua filosofia logoterapêutica, o austríaco também apontou o humor como sendo uma arma de proteção na luta pela autopreservação.

“É bem sabido que o humor, mais do que qualquer característica do ser humano, pode diminuir o distanciamento de si mesmo e gerar capacidade de ascensão perante qualquer situação da vida, mesmo que por alguns segundos. A tentativa de desenvolver um senso de humor e ver as coisas sob uma luz bem-humorada é algum tipo de truque aprendido ao se dominar a arte de viver.”

Outro motivo de salvação na busca pela sobrevivência, Frankl lembra, é o amor. Na sua bela definição:

“O amor é a única maneira de entender outro ser humano no âmago mais profundo de sua personalidade. Ninguém pode tornar-se plenamente consciente da própria essência do outro, a não ser que ame. Por seu amor, alguém está habilitado a ver os traços essenciais e recursos na pessoa amada; e ainda, ele vê o que é potencial nela, e o que não está atualizado, mas deve ser realizado.”

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Em uma entrevista concedida para um canal de televisão canadense, Frankl ressaltou que dificilmente se encontra qualquer referência àquilo que é a preocupação mais básica e fundamental de uma pessoa: não é prazer nem felicidade, nem tampouco sucesso, poder ou prestígio, mas original e basicamente, seu desejo é encontrar e realizar um sentido em sua vida para cada situação que a vida apresentar.

De acordo com essa teoria, a motivação básica do comportamento humano baseia-se na busca de sentido para a vida, e a finalidade da terapia psicológica é justamente ajudar a pessoa a encontrar esse significado em particular.

Ou seja, na abordagem da Logoterapia, o desejo de encontrar um propósito de vida é a força motriz do ser humano; aquilo que o move e faz acreditar que vale a pena viver. Não se trata, portanto, de um sentido geral de existência, mas um sentido pessoal de cada indivíduo, que, por escolha, pode criar (e encontrar a si próprio).

“Quem conhece um sentido para a sua vida encontra, na consciência desse fato, mais do que em outra fonte, ajuda para a superação das dificuldades externas e dos desconfortos internos. Disto se infere a importância que tem, sob o aspecto terapêutico, a ajuda a ser prestada ao homem no afã de encontrar o sentido de sua existência e de nele acordar, enfim, o desejo dormente do sentido.”

Frankl teorizou que uma pessoa pode achar um sentido (ou um propósito) para sua vida de três formas: 1) criando um trabalho ou realizando um feito notável; 2) experimentando um valor ou amor; 3) através do sofrimento, adotando uma atitude em relação ao sofrimento inevitável.

“A autotranscedência assinala o fato antropológico fundamental de que a existência do homem sempre se refere a alguma coisa que não ela mesma (a algo ou a alguém, isto é, a um objetivo a ser alcançado ou à existência de outra pessoa que ele encontre). Na verdade, o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo no serviço a uma causa, ou no amor a uma outra pessoa. É como o olho, que só pode cumprir sua função de ver o mundo enquanto não vê a si próprio.”

Frankl criticou também a ideia geral da “hierarquia das necessidades” de Abraham Maslow, afirmando que o preenchimento vertical dessas necessidades não é de muita ajuda, quando o que se procura é encontrar sentido: não se trata de ordenar as necessidades em maiores ou menores, e sim de identificar qual delas tem sentido, um objetivo por trás de sua realização.


Xausa (1986) afirma que a teoria de Frankl não foi um fenômeno isolado da conjuntura perversa que se firmou no século XX, em plena Segunda Guerra Mundial: ela teria sido a antítese das teorias e terapias reducionistas do século passado, expressando, com contundência, uma originalidade científica e um campo fundamental para o sentido da vida de cada ser humano.

De acordo com Xausa, a Logoterapia de Frankl “foi um feliz caminho que se abriu para sanar as angústias causadas pelo vazio existencial gerado por transtornos psicológicos específicos daquela época”.

Não é por acaso que Viktor Frankl seguiu o caminho da Logoterapia. Percebeu ele que as pessoas, especialmente os jovens que retornaram da Segunda Guerra Mundial, estavam terrivelmente traumatizados pela destruição sofrida, e que somente poderiam recuperar-se psicologicamente dos danos sofridos – incapacidade física, carência de afeto e de recursos logísticos, simbólicos e culturais – quando se empenhassem na busca de um novo sentido para viver. Mais tarde, quando preso nos campos de concentração nazista, ele mesmo constatou a necessidade dos seres humanos de buscar um significado e um por que viver.

“Mesmo que o homem esteja numa situação terrível, em que a possibilidade de realização de valores de atitude seja limitada, a realização de valores de atitude sempre continua possível. E através dela, a vida do homem conserva o seu sentido até o último suspiro.”

Em resumo, aprendemos com Viktor Frankl que, mesmo quando a vida parece longe de ter algum significado, ou a esperança se esvai completamente, nós somos capazes de suportar qualquer sofrimento e encontrar um sentido pelo qual viver.

Referências:

FRANKL, Viktor. Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. Estados Unidos (1984).

FRANKL, Viktor. A Psicoterapia na Prática. São Paulo (1991).

ASSUNÇÃO RODRIGUES, Larissa; ALVES DE BARROS, Lúcio. Sobre o Fundador da Logoterapia: Viktor Emil Frankl e Sua Contribuição à Psicologia. Goiás (2009).

*Postagem: Conti Outra
*Imagens: Reprodução

Assista a entrevista abaixo com Viktor Frankl:




quarta-feira, 24 de junho de 2015

O ANTICRISTO DE NIETZSCHE




Em defesa do HOMEM é necessário, 
exterminar com a fé


Por Edjar Dias de Vasconcelos

Nietzsche faz uma análise do Cristianismo, e compreende  a fé como uma maldição do homem sua reflexão, a religião particularmente, o cristianismo, não ajuda ao desenvolvimento humano.

Portanto, para Nietzsche Deus é o grande mal ao processo civilizatório, pois mecanizado no cristianismo leva a destruição da humanidade, favorecendo ao comportamento de fraquezas.

A maldição da fé se efetiva subjulgando o homem, a uma situação de inferioridade cultural, leva ao homem assimilar suas derrotas como virtudes transformando em uma realidade benéfica imaginária. Com efeito, irreal do ponto de vista praxiológica, acreditar em Deus é optar pelo atraso, a destruição do processo civilizatório.

O homo sapiens precisa libertar de Deus para poder atingir sua maior idade, a fé nega o que há de melhor na vida a liberdade, o prazer como   fonte da felicidade.

No entanto, ao ler o título do livro muita gente pensa, que Nietzsche deseja destruir Jesus Cristo. No entanto,  não é o seu objetivo, pelo contrário, o cristianismo nunca assumiu o que realmente Cristo pregava.
 Entretanto, assumiu uma concepção helênica mitológica da fé, um platonismo mistificado, a negação desse mundo, é muito mais uma concepção filosófica de Platão que do Cristo crucificado.

Para Nietzsche é necessário destruir o helenismo platônico, a filosofia da resignação, não tem sentido abandonar esse mundo, como realidade material fútil como pensara Platão, em razão do verdadeiro mundo, que para o cristão seria o paraíso.

Para Nietzsche não existe outro mundo, a não ser o mundo do planeta terra, imaginar outro mundo, simplesmente loucura da cultura grega paga.  Motivo pelo qual o cristianismo é a representação da tragédia humana.

Nietzsche refere a outras religiões, como sendo superiores ao cristianismo, entanto, sabemos que tal análise não é verdadeira. O filósofo está essencialmente preocupado em ironizar o cristianismo como algo incomparavelmente ruim, uma tragédia, que prejudica o desenvolvimento da humanidade.

Para Nietzsche, o cristianismo não ajuda desenvolver a sociedade. Ele não deseja destruir o cristianismo por ser ateu, ao atacar a natureza do cristianismo a sua preocupação é destruir algo cuja essência, visa tão somente prejudicar a humanidade.

Nietzsche entende o cristianismo como uma doença psicológica, identificada em sua análise o conceito do bem  e do  mal e reflete tais conceitos no cristianismo, como a perversão da humanidade.  Deus no cristianismo não tem função útil ao mundo ocidental.

É necessário que ocidente tome consciência, não deixe a tragédia dominar a sociedade,  pois a fé trava qualquer desenvolvimento político e econômico, e, sobretudo, impossibilita ao homem de atingir a própria superioridade.

Qual a finalidade da religião,  expor eternamente a humanidade ao atraso, seu permanente fracasso, com a fé não se construi uma civilização.  Motivo pelo qual chama o cristianismo como doença social e psicológica.

Em defesa do homem é necessário, exterminar com a fé. Ele deixa claro, fala com objetividade a crença em Deus é tão somente produto de Loucura. Deus não existe,  acreditar em sua existência, não é apenas alienação, entretanto, o mais absoluto delírio.

Portanto, Nietzsche declara, o cristianismo é uma mentira inventada,  não existe Deus, muito menos paraíso ou inferno, a única coisa que existe é a vida real no mundo, prejudicada nas relações sociais e políticas.

Com efeito, declara Nietzsche, a mentira é a grande maldição, não poderia ter existido algo pior para humanidade que a invenção do cristianismo.

Desse modo, Nietzsche grita em bom grado, precisa ser extirpado a maldição, libertar a interioridade da humanidade, eliminar o instinto da vingança no plano ideológico, a perda da vida real como compensação ideológica de outro mundo, substanciado no delírio.

A crença em Deus,  a eterna mancha da humanidade, contra si mesma, então Nietzsche deixa claro,  necessário negar o cristianismo e superar o paganismo platônico.

O grande problema da humanidade, o cristianismo intrometeu em tudo, transformando o homem em fraco, medíocre, incapaz de transformar a si mesmo, e, desse modo, à sociedade política.

Recusa o atendimento aos instintos saudáveis, para viver a vida doente como compensação, a fé levou ao homem a ser corrompido pelo entendimento incorreto das coisas.  O cristão é cego, vive a vida como realidade transviada.

Culturalmente inferior, uma vida sem valoração, sem procedimento ético, padrões comportamentais transviados, a espécie sapiens não tem futuro com o cristianismo,  na história civilizatória.

No entanto, o Nietzsche que ataca o cristianismo,   preserva Cristo, sendo que a religião  utilizou  apenas sua nominalidade e não a sua exegese praxiológica.

Nietzsche achava Jesus Cristo, um espírito livre e avançado, que superou a pequenez da humanidade.
Com efeito, o cristianismo fundado em seu nome, usou sua nominalidade, ainda equivocadamente, pois seu nome real,  nunca fora Jesus Cristo, no entanto Joshua de Abar.





PLATÃO - CARD




sexta-feira, 29 de maio de 2015

CORA CORALINA - ESCRITORA



Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende." 


Os versos que você acabou de ler são de autoria de Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a Aninha, como a poeta se autorreferiu no título do poema. Conhecida como a autora dos versos que representam um pouco da história da Cidade de Goiás, no estado de Goiás, Cora Coralina ficou nacionalmente conhecida, ganhando o respeito de poetas como Carlos Drummond de Andrade, que foi o grande responsável por despertar o interesse do público nacional para a escritora até então conhecida apenas regionalmente.




BIOGRAFIA

Cora Coralina , pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985), é a grande poetisa do Estado de Goiás. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na
Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo (SP). Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana. Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.



Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)." Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás. No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte. "Estórias da Casa Velha da Ponte" é lançado pela Global Editora. Postumamente, foram lançados os livros infantis "Os Meninos Verdes", em 1986, e "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu", em 1997, e "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", em 1989.
Texto extraído do livro "
Vintém de cobre - Meias confissões de Aninha", 
Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 174.







OPINIÃO
O amor na velhice

Por: Olympia Salete Rodrigues

   
A Cora Coralina que todos conhecemos: aquela mulher que se descobriu poeta já bem velhinha, depois de uma vida de luta, inclusive com um casamento desastroso que ela carregou corajosamente e, só após a morte do marido, conseguiu se ver em sua enorme e verdadeira dimensão, como mulher e como poeta.

segunda-feira, 9 de março de 2015

BARUCH SPINOZA - FILÓSOFO



Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: -“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí, é onde eu vivo e aí, expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar por tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…, não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.

Se eu te fiz, eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única coisa que há aqui e agora, e a única que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado a oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste?… O que aprendeste?…

Pára de crer em mim- crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.